Idoso resgatado de trabalho análogo à escravidão dormia com porcos e se alimentava 1 vez ao dia

Escrito por em 23 de Julho, 2026

Um idoso de 65 anos resgatado de situação análogo à escravidão no interior do Pará dormia com porcos e bois na propriedade onde ficava isolado, e se alimentava apenas uma vez ao dia. As informações foram divulgadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) no último domingo (19).

Resgatado no dia 14 de julho, o idoso, que não teve a identidade divulgada, morava em uma propriedade rural em Altamira, no Pará, onde era responsável por cuidar dos animais. Ele era mantido isolado de outras pessoas e precisava dividir a comida que conseguia, que eram piranhas pescadas no rio ao lado, com os suínos e bovinos.

Além disso, ele não tinha acesso ao banheiro e precisava fazer suas necessidades no mato, além de tomar banho no rio, onde já havia sido ferroado por arraiais. O trabalhador também chegou a ser ferido duas vezes por cobras jararacas que entravam no alojamento em que dormia com os animais. Ele passou oito anos nesta situação.

Segundo os auditores fiscais, o homem apresentava sinais de desnutrição, uma vez que não tinha alimentação adequada e nem acesso à água potável. De acordo com o idoso, ele realizava apenas uma refeição por dia e chegou a passar alguns anos sem consumir carne bovina e de frango. Em 2025, ele ficou cerca de três meses sem receber mantimentos enviados pelos proprietários da fazenda e se alimentou apenas de abóbora e piranhas que pescava.

Fazenda foi alvo de fiscalização ambiental

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a propriedade rural foi alvo de fiscalização ambiental, que retirou parte do rebanho do local há alguns anos. No entanto, o idoso permaneceu trabalhando no local por medo de perder seu salário. Durante esse período, o empregador enviava mantimentos ao idoso, que foram classificados como “insuficientes do ponto de vista nutricional, gerando insegurança alimentar e hídrica“, segundo o órgão.

Proteção socioassistencial

Após o resgate, o idoso foi recebeu atendimento médico e psicológico, além de ser inserido na rede de proteção socioassistencial de Altamira. Ele recebeu roupas, produtos de higiene, alimentos e um telefone celular para que consiga se comunicar com seus familiares localizados no Maranhão, em Goiás e São Félix do Xingu, sua cidade natal e para onde deve retornar após receber os atendimentos adequados.

O MPT também informou que um Termo de ajustamento de conduta foi firmado com o dono da propriedade no valor de R$ 120 mil entre verbas rescisórias e reparação de danos morais.

Denúncias

As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema Ipê (ipe.sit.trabalho.gov.br), criado pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Disque 100.


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