Prefeitura de Ananindeua deu golpe em idoso
Escrito por Jornalismo Nativa em 23 de Setembro, 2026
Um idoso de 77 anos teria sido usado em uma desapropriação que resultou no pagamento de R$ 2,3 milhões para secretário de Habitação da prefeitura em 2023
O Ministério Público do Pará (MPPA) denunciou à Justiça 11 pessoas por um suposto esquema que teria provocado um prejuízo de R$ 21,7 milhões aos cofres públicos de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O caso envolve, inicialmente, uma desapropriação na qual um idoso de 77 anos teria sido utilizado sem saber da operação da operação fraudulenta durante o ano de 2023.
As informações foram reveladas por uma reportagem do Metrópoles, publicada nesta terça-feira (22), com base na denúncia apresentada pelo MPPA. Entre os denunciados está Alexandre Gomes, que ocupava o cargo de secretário municipal de Habitação da Prefeitura de Ananindeua durante parte dos fatos investigados e atualmente é vereador, que de acordo com o MP, ele seria um dos principais responsáveis pelo esquema.
A denúncia também cita Benedito Farias da Silva, de 77 anos, conhecido como Bené, como uma das principais testemunhas da investigação. Segundo o Ministério Público, o idoso teria sido colocado no centro de uma operação envolvendo um terreno em Ananindeua. Conforme o depoimento prestado por Bené no último dia 10, ele teria sido chamado à Secretaria Municipal de Habitação pela diretora do órgão para tratar de uma suposta dívida de IPTU superior a R$ 500 mil.
O MP afirma que a condição de idoso colocava Bené em situação de vulnerabilidade diante da cobrança apresentada e das circunstâncias envolvendo as terras, que, segundo a denúncia, já haviam sido invadidas. Ainda segundo o depoimento, o homem teria assinado diversos documentos sem saber exatamente o que estava formalizando, que pode ser considerado ter sido forçado a assinar.
Depois disso, uma área onde existia um antigo campo de futebol comunitário passou a aparecer em documentos da Secretaria de Habitação como pertencente a Bené. O terreno foi então incluído em um processo de desapropriação conduzido durante a gestão de Alexandre Gomes à frente da pasta.
A denúncia aponta que Juvenal Teixeira, empresário descrito como concunhado e pessoa de confiança de Alexandre Gomes, apareceu posteriormente como procurador de Bené para receber a indenização referente ao imóvel. Diante disso, entre fevereiro e março de 2023, R$ 2,3 milhões foram pagos pelo município para Gomes, que naquela época era titular da Secretaria de Habitação, relacionados à desapropriação .
No depoimento ao Ministério Público, porém, Bené afirmou que nunca havia autorizado Juvenal Teixeira a representá-lo e que também não recebeu qualquer parte do valor pago pela desapropriação. Dessa forma, a denúncia do MP considera que essa operação foi utilizada como parte do mecanismo de desvio de recursos públicos.
Segundo o Ministério Público, depois da operação envolvendo o idoso, o suposto esquema teria se ampliado para outros setores da administração municipal. A denúncia aponta irregularidades relacionadas à Secretaria Municipal de Educação e ao Instituto de Previdência Municipal, envolvendo novos casos de desapropriação e aquisição de imóveis.
Somadas as operações investigadas, o prejuízo apontado pelo MP chega a R$ 21,7 milhões. Alexandre Gomes foi denunciado pelos crimes de associação criminosa, fraude em licitação e peculato, que consiste no desvio de recursos públicos por agente que tenha acesso a eles em razão da função.
Juvenal Teixeira também está entre as pessoas denunciadas, sendo que os fatos ainda serão analisados pela Justiça. A denúncia representa a acusação apresentada pelo Ministério Público e não uma condenação dos envolvidos.
O nome de Alexandre Gomes também aparece em uma outra investigação do Ministério Público, relacionada à compra de uma mansão atribuída ao então prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, em Fortim, no Ceará. Segundo o Metrópoles, uma empresa ligada ao ex-secretário, a AC Santos Gomes & Cia Ltda., teria pago aproximadamente R$ 1 milhão para a aquisição do imóvel.
A mansão, uma casa de praia mobiliada localizada no litoral da região de Fortaleza, teria custado R$ 4,1 milhões e foi adquirida em 2025. Documentos da construtora responsável pela venda, segundo a reportagem, mostram que cinco empresas e quatro pessoas físicas fizeram depósitos para quitar o imóvel.
Posteriormente, a propriedade foi registrada em nome da deputada federal e candidata à reeleição Alessandra Haber, esposa de Daniel Santos. O Ministério Público investiga a origem dos recursos utilizados na aquisição e suspeita de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. Essas suspeitas fazem parte de uma investigação distinta da denúncia sobre o suposto desvio de R$ 21,7 milhões.
Alexandre Gomes deixou a Prefeitura depois dos fatos investigados e assumiu o mandato de vereador e, atualmente, é candidato a deputado estadual e conta com o apoio de Daniel Santos, que é candidato ao governo do Pará nas eleições deste ano. Por se tratar de acusações e investigações envolvendo candidatos e pessoas ligadas a grupos políticos durante o período eleitoral, os fatos são apresentados conforme a denúncia do Ministério Público sem antecipar responsabilidade ou condenação.
Sobre essa grave denúncia de desvio de dinheiro dos cofres públicos, a reportagem do portal Metrópoles procurou Alexandre Gomes, Juvenal Teixeira e Daniel Santos, mas eles ainda não haviam se manifestado.
Fonte: Diário do Pará
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