Mãe é presa por omissão após morte de filho espancado pelo pai

Escrito por em 10 de Julho, 2026

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na tarde desta quinta-feira (9), Mayanna Angelina Rodgers, mãe de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, morto na madrugada do mesmo dia após ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre (RS).

A mulher foi detida preventivamente sob investigação por omissão, enquanto o pai, preso desde domingo (5), confessou à polícia ter agredido o filho porque o menino não lhe deu “bom dia”. A família, de origem norte-americana, vive no Brasil há nove anos e se mudou para Viamão há cerca de seis meses.

A prisão da mãe de Oliver ocorreu horas depois da confirmação da morte do menino. Ela é investigada por omissão: segundo a Polícia Civil, há indícios de que Mayanna tinha conhecimento das agressões praticadas pelo marido e não agiu para proteger o filho. A detenção é preventiva, modalidade que pode ser decretada quando há risco à ordem pública ou à instrução criminal, independentemente de flagrante.

A motivação confessada por Dandre Jermaine Grayson para espancar o próprio filho de 3 anos é o elemento que mais choca na investigação: segundo a polícia, o próprio pai declarou em depoimento que agrediu Oliver porque a criança não lhe deu “bom dia”.

A confissão transforma o que poderia ser descrito como um “episódio doméstico” em algo que a investigação trata como homicídio doloso, com motivação fútil. O pai permanece preso preventivamente desde segunda-feira (6), quando a prisão em flagrante foi convertida.

Doação de órgãos

Oliver sofreu agressões na região do peito e do abdômen. Durante a agressão, segundo a investigação, o pai ainda teria batido a cabeça do menino contra o chão.

Foi o próprio Dandre quem levou o filho ao Hospital de Viamão no domingo (5), onde a equipe médica constatou as lesões graves e acionou a Brigada Militar. A prisão em flagrante foi efetuada ainda na unidade de saúde.

Transferido em estado gravíssimo para a UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, Oliver permaneceu internado por dias em protocolo de morte encefálica, sem chances reais de sobreviver.

A morte foi confirmada na madrugada de quinta-feira (9). Após o óbito, o corpo foi encaminhado ao Departamento Médico-Legal para exames que atestam a causa da morte. A família autorizou a doação dos órgãos do menino, e a captação foi realizada na manhã desta quinta, segundo a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul.

Histórico de violência

O caso de Oliver não é, segundo a investigação, um episódio isolado. A Polícia Civil apura indícios de que três dos outros filhos do casal, com idades de 5, 7 e 9 anos, também teriam sido vítimas de agressões semelhantes em pelo menos outros dois estados brasileiros.

As informações são preliminares e dependem de confirmação, mas já orientam a linha investigativa sobre o padrão de comportamento do pai.

Os cinco filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. A situação de um quarto filho, um bebê de 1 ano, ainda está sendo apurada para verificar se a criança também sofreu violência.

Além de investigar os maus-tratos contra as crianças, a Polícia Civil apura possíveis episódios de violência doméstica contra a própria mãe, e chegou a solicitar medida protetiva em favor dela.


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