Resultado positivo para HIV vira caso de Polícia
Escrito por Jornalismo Nativa em 14 de Março, 2026
Um jovem de 23 anos registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil após afirmar que teve o resultado positivo para HIV anunciado em voz alta por profissionais de saúde dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O caso ocorreu na última segunda-feira (9), na UPA Oeste, localizada no bairro Sumarezinho.
Segundo o registro policial, o paciente procurou a unidade para iniciar o protocolo de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) após uma relação sexual com suspeita de transmissão do vírus. O procedimento é uma medida de urgência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis, devendo ser iniciado em até 72 horas após a exposição, com duração de 28 dias.
O momento
De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem passou pela triagem e teve a pressão arterial considerada alta, sendo classificado como atendimento prioritário. Mesmo assim, ele relatou que aguardou por horas até ser atendido e que chegou a ameaçar acionar a Polícia Militar.
Após iniciar o protocolo e realizar a coleta de sangue, o paciente afirma que uma médica teria informado em voz alta que o teste para HIV havia dado positivo. Minutos depois, segundo o registro, uma enfermeira teria confirmado novamente os dois exames reagentes, também sem preservar o sigilo e diante de outras pessoas que estavam no local.
O paciente também relatou que tentou obter o exame diretamente com a médica responsável pelo atendimento, mas a profissional teria se recusado a entregar o documento. O resultado foi conseguido posteriormente em outro setor da própria unidade.
Investigação
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado inicialmente como difamação no 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto, mas posteriormente passou a ser investigado como injúria racial — equiparada ao crime de homofobia — e violação de sigilo médico. A vítima foi orientada quanto aos prazos para formalizar a representação criminal.
A advogada do paciente, Julia Gobi Turin, afirmou que a conduta relatada pode representar violação grave das normas éticas da área da saúde. Segundo ela, a resolução 2.437/2025 do Conselho Federal de Medicina estabelece que o diagnóstico deve ocorrer com acolhimento, humanização e garantia de sigilo absoluto ao paciente.
Medidas administrativas
A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto informou que foi aberto um processo administrativo para apurar o caso. Uma funcionária da unidade foi afastada das funções até a conclusão da investigação.
Em nota, a pasta afirmou que a Fundação Hospital Santa Lydia, responsável pela gestão das UPAs da cidade, instaurou procedimento interno para investigar o ocorrido.
“Situações dessa natureza são tratadas com absoluta seriedade, especialmente por envolverem sigilo e respeito à privacidade do paciente.”
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