Atlas aponta queda nos homicídios de mulheres no Pará

Escrito por em 28 de Maio, 2026

A violência contra a mulher segue como uma das feridas sociais mais profundas do Brasil. Mesmo diante de indicadores que apontam redução nos homicídios femininos ao longo da última década, os números ainda revelam um cenário alarmante, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O novo levantamento divulgado nesta terça-feira (26) reforça que, apesar dos avanços estatísticos, milhares de mulheres continuam perdendo a vida de forma violenta em todo o país.

Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo mostra que o Pará está entre os 19 estados brasileiros que apresentaram redução nas taxas de homicídios de mulheres entre 2023 e 2024, acompanhando uma tendência nacional de queda, embora os especialistas alertem que a violência letal feminina ainda permanece em níveis preocupantes.

QUEDA NACIONAL, MAS NÚMEROS SEGUEM ALTOS

Segundo o levantamento, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024. O índice corresponde a uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres, representando redução de 6,7% em comparação com 2023. O estudo destaca que a queda acompanha uma tendência observada ao longo da última década. Desde 2014, houve diminuição de 27,7% na taxa de homicídios femininos registrados oficialmente pelo sistema de saúde.

Apesar disso, o volume absoluto de casos ainda impressiona. Entre 2014 e 2024, o país contabilizou 46.336 mulheres assassinadas, evidenciando a permanência da violência de gênero em território nacional.

PARÁ ACOMPANHA TENDÊNCIA DE REDUÇÃO

Entre os estados brasileiros, o Pará aparece na lista das unidades federativas que conseguiram reduzir os índices entre 2023 e 2024. De acordo com os dados do Atlas da Violência 2026, o estado registrou uma queda de 13,3% na taxa de homicídios de mulheres entre 2023 e 2024, índice superior à média nacional, que ficou em 5,6% no mesmo período. O estado passou de 4,5 para 3,9 assassinatos por 100 mil mulheres, consolidando uma das reduções mais significativas entre as unidades da federação que apresentaram melhora nos indicadores.

No recorte da última década – entre 2014 e 2024 -, a retração paraense chega a 38,1%, desempenho também acima da redução nacional acumulada, de 27,7%. O resultado coloca o Pará em posição de destaque entre os estados do Norte e Nordeste – regiões que concentram os maiores índices de violência letal contra mulheres no país – e reforça uma tendência recente de desaceleração dos homicídios femininos, embora os números ainda permaneçam elevados.

GOVERNO DO PARÁ AMPLIA COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


A governadora Hana Ghassan durante o lançamento da plataforma “SOS Mulher-190”, nova ferramenta integrada ao sistema de emergência que promete agilizar o atendimento a mulheres vítimas de violência no Pará. |Marcos Santos;Agência Pará

Os números apresentados pelo Atlas da Violência 2026 coincidem com um momento em que o Pará passou a ampliar ações voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. À frente do governo estadual, a governadora Hana Ghassan iniciou recentemente uma série de medidas voltadas à prevenção, repressão qualificada e fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Entre as iniciativas de maior alcance está a megaoperação “Escudo Feminino”, lançada em Belém com atuação simultânea em dezenas de municípios paraenses, em uma mobilização considerada inédita no estado.


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