Pará teve 1.486 novos casos de hanseníase ano passado

Escrito por em 25 de Janeiro, 2026

O Pará registrou, em 2025, 1.486 novos casos de hanseníase, como apontam dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Somente na capital, foram contabilizados 184 casos. Entre 2020 e 2025, Belém registrou 983 casos de hanseníase, sendo 599 novos, o que representa cerca de 61% das notificações, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Durante todo o mês de janeiro, diversas áreas de Belém recebem ações da campanha Janeiro Roxo, de conscientização, prevenção e enfrentamento da hanseníase.

Ainda de acordo com a Sspa, os municípios com maior incidência são Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Xinguara. A faixa etária mais afetada é a de 35 a 49 anos, que concentra 27,72% das notificações. Nesta semana, a Sesma deu início oficial à programação na ilha de Mosqueiro, distrito da capital. Ao longo do dia, cerca de 400 pessoas foram atendidas. Com o tema “Hanseníase: quem conhece, cuida; quem cuida, cura”, a campanha Janeiro Roxo 2026 é realizada de forma descentralizada, envolvendo unidades de saúde, comunidades urbanas, ilhas e territórios ribeirinhos, com foco no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS).

Ao longo do mês, capacitações técnicas, ações educativas e busca ativa serão realizadas em Unidades Municipais de Saúde, Unidades Básicas de Saúde e Estratégias Saúde da Família. As atividades incluem capacitação de equipes, palestras sobre hanseníase e busca ativa na comunidade na UMS Terra Firme; ações de educação em saúde em sala de espera e capacitação técnica na UMS Cremação; educação em saúde, avaliação de contatos, consultas e testagem rápida na ESF Satélite; rodas de conversa e ações educativas com agentes comunitários de saúde na UMS Condor; além de capacitações, manejo clínico, organização de fluxos assistenciais e ações de saúde na UBS de Outeiro, bem como em territórios especiais.

Também está prevista a atuação da UBS Fluvial, no dia 29 de janeiro, com atendimento a comunidades ribeirinhas, incluindo avaliação de casos suspeitos e de contatos. O encerramento da campanha ocorre no dia 30 de janeiro de 2026, na Clínica Dr. João Fonseca Gouveia, UBS do Telégrafo, com a conclusão das atividades do Janeiro Roxo e programação educativa com a mobilização da equipe da unidade.

Na última quarta-feira (21), equipes técnicas estiveram no local oferecendo diversos serviços à população, como avaliação clínica para identificação de sinais e sintomas da doença, testagem rápida para contatos, ações de educação em saúde, além de atendimentos como teste de glicemia, aferição da pressão arterial e vacinação.

Contato de pacientes

De acordo com a coordenadora da Referência Técnica em Tuberculose, Hanseníase e Micose da Sesma, Gabrielle Lobo, durante a ação foram avaliados contatos de pacientes já tratados. “Os testes rápidos não apresentaram reagência, o que é um bom indicador. Isso mostra que o caso fonte está em tratamento e deixou de ser transmissor. Ainda assim, esses contatos seguirão em monitoramento por cinco anos”, explica.

“O Janeiro Roxo é uma campanha estratégica para fortalecer as ações de vigilância, prevenção e diagnóstico precoce da hanseníase. Na capital paraense, a programação está concentrada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESFs), principais portas de entrada do SUS. Essas ações contribuem para interromper a transmissão, reduzir incapacidades e enfrentar o estigma associado à doença”, destaca Gabrielle Lobo.

Na sexta-feira (23), a Sesma atuou em parceria com a Universidade do Estado do Pará (Uepa) e a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). A ação, realizada no bairro do Telégrafo, em Belém, registrou mais de 100 atendimentos em apenas uma manhã, com seis casos confirmados e notificados pela Sesma. As pessoas diagnosticadas foram encaminhadas imediatamente para o início do tratamento e orientadas a procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de suas residências para acompanhamento.

Sobre a hanseníase

A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos. Os principais sinais são manchas claras ou avermelhadas com perda de sensibilidade e formigamento.

A transmissão ocorre por contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, por meio de gotículas de saliva ou secreções nasais. A doença não é transmitida por toque, abraço ou compartilhamento de objetos. O tratamento é gratuito pelo SUS, e a transmissão é interrompida após a primeira dose do medicamento.

O atendimento para hanseníase está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde de Belém. Ao identificar qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar a UBS mais próxima para avaliação clínica e início imediato do tratamento.

O diagnóstico da hanseníase é clínico, baseado na avaliação da pele e dos nervos periféricos. Após a confirmação, o paciente segue em acompanhamento na própria UBS, com consultas regulares, monitoramento da adesão ao tratamento, prevenção de incapacidades e avaliação dos contatos. Esse cuidado contínuo amplia a efetividade do tratamento e melhora a qualidade de vida das pessoas atendidas.

Manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência, formigamento, diminuição da força muscular e nódulos são sinais de alerta para a hanseníase. Quando identificada precocemente, a doença pode ser tratada antes de causar deformidades físicas, incapacidades permanentes e impactos sociais.

Serviço de referência

Ainda em Belém, o Serviço de Referência Especializado em Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) funciona no Campus II/CCBS, localizado na Travessa Perebebuí, nº 2623, no bairro do Marco, em Belém, com atendimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *



Faixa Atual

Título

Artista

Atual

A Hora do Amado

12:00 14:00

Atual

A Hora do Amado

12:00 14:00

Upcoming show

Paradão da Nativa

14:00 16:00