‘Trem da Morte’: ferroviárias Brasil Bolívia volta a operar

Escrito por em 1 de Agosto, 2026

Durante décadas, o trajeto ferroviário que atravessa a cidade boliviana de Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá (MS), rumo a Santa Cruz de la Sierra, um dos principais centros econômicos da Bolívia, ficou conhecido como “Trem da Morte”, apelido que invoca as histórias de descarrilamentos, vagões precários e o transporte de passageiros durante períodos de epidemias de doenças tropicais.

Depois de seis anos paralisado, o trem, cujo nome oficial é Expresso Oriental (operado pela Ferroviaria Oriental), voltou a circular em 2026.

A retomada de uma das rotas ferroviárias mais conhecidas entre viajantes brasileiros que atravessam a fronteira por Mato Grosso do Sul, por cerca de 618 quilômetros ao longo do leste boliviano, ocorre aos domingos, às 13h, quando parte de Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil. No sentido contrário, o trem parte às sextas-feiras, também às 13h, de Santa Cruz de la Sierra.

Entre uma cidade e outra, a paisagem muda gradualmente. A rota atravessa parte da Chiquitania, no departamento de Santa Cruz, região marcada por áreas de vegetação, pequenas comunidades, formações naturais e cidades históricas. Em determinados trechos, a ferrovia acompanha uma paisagem aberta, enquanto em outros passa por áreas de vegetação mais densa.

Em Puerto Quijarro, a estação ferroviária tem uma estrutura simples. O espaço de embarque lembra mais um terminal rodoviário de cidade pequena do que uma grande estação ferroviária, com poucos guichês, cadeiras para os passageiros e uma área de circulação modesta.

As paradas e as condições da ferrovia fazem com que a viagem, que percorre mais de 600 quilômetros, possa durar até cerca de 20 horas.

O apelido “Trem da Morte” surgiu na Bolívia em razão de acidentes e descarrilamentos registrados ao longo da operação ferroviária. A rota também esteve associada ao transporte de pessoas doentes, inclusive durante períodos em que enfermidades como a febre amarela representavam um problema sanitário na região.

A Ferroviaria Oriental, operadora do trem, administra aproximadamente 1.244 quilômetros de linhas na Bolívia.

Ao longo dos anos, o Expreso Oriental ajudou a conectar cidades do interior, criou rotas comerciais e entrou no imaginário de gerações de viajantes.

O retorno da rota ganhou força com a pressão de municípios e setores da região da Chiquitania e do Pantanal boliviano e, em fevereiro de 2026, a Agência Boliviana de Informação (ABI) informou que a Ferroviaria Oriental trabalhava para colocar novamente em condições de operação os carros de passageiros, mas seriam necessários cerca de três meses para concluir a preparação técnica e operacional dos equipamentos.

Em maio, o Ministério de Obras Públicas, Serviços e Habitação da Bolívia anunciou oficialmente a reativação do Expreso Oriental, com o primeiro percurso marcado para 29 de maio, na rota Santa Cruz–Puerto Quijarro.

A formação inicialmente anunciada tinha capacidade para 189 passageiros e era composta por uma locomotiva, dois carros de passageiros e um vagão para bagagens. As tarifas anunciadas partiam de 60 bolivianos na classe econômica e chegavam a 90 bolivianos na classe Pullman.

Quando a procura passou a superar a capacidade planejada, no entanto, a Ferroviaria Oriental anunciou uma ampliação de 32% na capacidade de passageiros cerca de um mês após o relançamento da rota, com capacidade para transportar 248 pessoas.


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