Estudantes do IFMA desenvolvem absorvente biodegradável feito com sementes de juçara
Escrito por Jornalismo Nativa em 30 de Outubro, 2026
Uma pesquisa desenvolvida por estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) criou um absorvente íntimo biodegradável produzido a partir de fibras naturais de sementes de juçara, fruto conhecido como açaí em outras regiões do Brasil. A iniciativa busca reaproveitar resíduos que normalmente seriam descartados para desenvolver uma alternativa de higiene menstrual com potencial de baixo custo e menor impacto ambiental.
O projeto foi realizado no Campus São Luís pelas estudantes Sabrina Mendes e Haylana Lima, alunas do curso técnico em Meio Ambiente e bolsistas de iniciação científica do Ensino Médio. A pesquisa foi orientada pela professora Laurinda Siqueira.
O material passou por diferentes tratamentos para melhorar sua capacidade de absorção. Nos testes realizados com uma solução que simula a viscosidade do sangue, o produto apresentou absorção equivalente a 3,57 vezes sua massa seca, resultado superior aos índices encontrados na literatura para fibras naturais como algodão, cânhamo e linho.
Os experimentos também apontaram rápida desintegração em água sob agitação e redução de até 92% da massa do material após 90 dias, em temperatura ambiente, indicando seu potencial de biodegradação.
Pesquisa une inovação e sustentabilidade
O desenvolvimento do absorvente envolveu avaliações de absorção, inchamento, solubilidade em água, pH e degradação. A proposta é transformar um resíduo natural em matéria-prima para um produto que possa reduzir os impactos ambientais provocados pelos absorventes descartáveis convencionais.
O estudo é realizado há cinco anos e marcou a primeira experiência científica das duas estudantes. Atualmente no terceiro ano do Ensino Médio, elas comemoram os resultados e a participação como coautoras do pedido de patente.
“Para mim isso representa uma conquista muito grande. É evidente que o estudo e a ciência nos levam a lugares que aparentemente estão distantes da nossa realidade”, afirma Sabrina Mendes.
As estudantes também destacam que a experiência contribuiu para o desenvolvimento de habilidades laboratoriais, comunicação e escrita científica, além de ampliar a compreensão sobre questões ambientais e sociais.
Produto pode ajudar a combater a pobreza menstrual
Além dos benefícios ambientais, a iniciativa tem potencial para contribuir com o enfrentamento da pobreza menstrual, problema caracterizado pela falta de acesso a absorventes, infraestrutura adequada e informações sobre menstruação e saúde menstrual.
A possibilidade de produzir o material a partir de resíduos de juçara também pode favorecer futuras cadeias produtivas locais e valorizar recursos naturais da região.
“O que me motivou foi quando começamos os estudos bibliográficos e percebemos o quanto a pobreza menstrual é um problema no Brasil e no mundo. Foi muito gratificante fazer parte de uma pesquisa que busca ajudar tanto as mulheres quanto o meio ambiente”, comenta Haylana Lima.
A professora Laurinda Siqueira ressalta que a pesquisa permite às estudantes desenvolver habilidades científicas, desde a elaboração de hipóteses até a realização de experimentos e interpretação dos resultados.
“Mais do que isso, percebem que a ciência pode contribuir para responder a necessidades reais da população”, destaca.
Pesquisa conquista prêmio e avança para novas etapas
O trabalho conquistou o terceiro lugar no Prêmio Fapema 2026, na categoria Pesquisador Júnior, e também resultou em um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A próxima etapa prevê novos testes e experimentos para aprimorar o produto. A expectativa é avançar no desenvolvimento da tecnologia para que, futuramente, ela possa beneficiar um número maior de pessoas.
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