Me emociona lembrar de tudo que passamos, diz mãe de Rayssa Leal
Escrito por Jornalismo Nativa em 8 de Janeiro, 2026
Rayssa Leal, estrela da capa da edição impressa de dezembro da CAPRICHO, completou 18 anos no último domingo (4). Sim, ela é ainda muito nova, mas, segundo sua mãe, Lilian Mendes, ela ” já viveu coisa que muita gente leva uma vida toda para conquistar”. Orgulhosa da filha, ela relembra como tudo começou e já vislumbra um futuro ainda mais brilhante para a atleta.
Lilian foi a responsável por gravar o vídeo que apresentou a “fadinha” para o mundo aos sete anos, acertando um heelflip. Desde o início, fez de tudo, apesar de todas as dificuldades, para que a garota pudesse viajar para competir. Mesmo sem conhecer as manobras, passou a estudar o esporte para treiná-la e fazer com que o sonho virasse realidade. “Eu não conhecia praticamente nada sobre skate. Tudo era novo para mim e para o pai dela. Quando a Rayssa começou a competir, a gente sentiu a necessidade de aprender para poder ajudá-la nos campeonatos”, relembra.
Lilian contou a nossa reportagem mais sobre a história da sua filha, a mais jovem brasileira a conquistar uma medalha olímpica, e a relação tão especial de mãe e filha das duas. Confira a entrevista completa a seguir.
CH: A Rayssa contou em uma entrevista antiga que você tinha o sonho de ser jogadora de futebol, e que você apoiou muito ela no skate. Você acha que por ter tido esse sonho relacionado ao esporte entendeu mais a Rayssa? O que te fez apoiá-la desde o começo?
Eu sempre fui apaixonada por esporte, joguei bola quase a minha infância toda. Então, quando a Rayssa começou a andar de skate, foi muito fácil para mim entendê-la. Ela queria andar de skate todo dia e a gente ia para pista com ela. Essa paixão dela fez eu apoiar, porque foi algo muito natural. Eu só incentivava o que ela gostava de fazer.
CH: Você não sabia sobre skate antes de começar a estudar para ajudar a Rayssa e treiná-la, né? Como foi esse início e todo o processo? Quais foram as maiores dificuldades?
Na verdade, eu não conhecia praticamente nada sobre skate. Tudo era novo para mim e para o pai dela. Quando a Rayssa começou a competir, a gente sentiu a necessidade de aprender para poder ajudá-la nos campeonatos. Foi aí que toda a galera do skate começou a nos dar suporte. No início, nossa maior dificuldade mesmo foi a questão de patrocínios e ajuda de custo para a gente viajar. Não tínhamos condições, então dependíamos de correr atrás de patrocinadores para poder realizar as viagens.
CH: Na sua opinião, o que faz da Rayssa essa skatista, atleta e figura tão grandiosa?
O que torna a Rayssa uma figura tão grandiosa é a leveza. Ela anda de skate com amor, com sorriso no rosto. Ela não desiste, mesmo quando ela está em uma situação difícil em um campeonato, ela consegue reverter. Então, eu acho que isso é o que faz ela seja tão grande. A Rayssa também nunca esqueceu de onde veio. Ela conquista tudo da mesma forma de quando começou. Ela cresceu sem perder a essência.
CH: Como você enxerga a modalidade hoje e o tratamento das atletas que começam desde cedo como sua filha? E qual a importância do apoio da família?
Hoje eu vejo a modalidade muito mais preparada do que quando a Rayssa começou a andar de skate. A galerinha mais nova está vindo com mais apoio agora. A Olimpíada ajudou muito na visibilidade do skate. Claro, acho que ainda existem muitos desafios, mas o cenário do skate evoluiu bastante. E o apoio da família é essencial. É a família que passa segurança, que está ali do lado quando não dá certo. No caso da Rayssa, eu estar presente desde o início, acho que fez toda a diferença não só nos resultados que ela teve em campeonatos, mas também no bem-estar dela e na forma que ela se desenvolveu como pessoa e atleta.
CH: A Rayssa completou 18 anos e já conquistou tanta coisa. Como é olhar para o passado e para toda essa trajetória?
Quando eu olho para o passado, sinto uma mistura de orgulho e emoção. A Rayssa com 18 anos já viveu coisa que muita gente leva uma vida toda para conquistar. Eu lembro dela pequena começando a andar de skate e ver onde ela chegou tão cedo é impressionante. Foi uma trajetória intensa, né? Cheia de dedicação, coragem. E o mais especial de tudo é que mesmo com tanta conquista, ela continua sendo aquela menina que anda de skate com amor, com sorriso no rosto e apaixonada pelo que faz.
CH: Todo mundo conhece a Rayssa Leal, campeã do skate, mas como é a Rayssa filha, jovem, longe das câmeras?
Longe das câmeras não muda muita coisa, não. A Rayssa é simples, divertida, carinhosa, gosta de estar com a família, com os amigos dela. Ela gosta de viver as mesmas coisas que qualquer adolescente da idade dela vive. Em casa ela brinca, às vezes, é teimosa, leva bronca, mas gosta de sempre estar perto. A gente tenta sempre conversar para ela manter o pé no chão, e ela valoriza muito pequenas coisas do dia a dia, Acho que essa leveza dela é uma das partes mais bonita dela.
CH: Como fica o coração de mãe durante as competições? E quando ela vence, como você descreve o orgulho que sente?
Coração de mãe sofre em toda competição. A gente nunca se acostuma, né? Por mais que já tem bastante tempo que ela compete, o nervosismo, a ansiedade é do mesmo jeito. Mas a gente está ali na torcida, esperando que tudo dê certo, torcendo por cada manobra. Eu sempre tento transmitir força para ela, mesmo de longe.E quando ela vence, o orgulho é até difícil falar, não é só pelo resultado, mas por tudo que eu sei que está por trás: todos os treinos, o esforço, as queda, dedicação, o amor que ela coloca no skate. Me emociona lembrar de tudo que a gente passou para hoje ela estar onde está.
CH: Quais sonhos você ainda quer realizar ao lado dela? E qual é o futuro que você vislumbra para a Rayssa?
A gente vai sonhando junto com ela. O sonho dela é o mesmo da gente. Só queremos que ela seja feliz, que todas as escolhas dela sejam escolhas sábias. Quero sempre estar por perto dando conselho, conversando e acompanhando ela no esporte, na vida e nos novos projetos que ela pensa em fazer. Torço para ela sempre estar cercada de pessoas que a amam e que preservam quem ela é de verdade. E quanto ao futuro, eu enxergo que ainda vem muita coisa boa por aí, ela ainda vai conquistar muitas coisas. Ela tem disciplina, né? Tem foco nos objetivos dela desde quando ela começou. Ela está amadurecendo, crescendo e ficamos feliz por tudo que que ela conquistou e o que ela ainda vai conquistar. E a gente só deseja que ela continue sendo luz dentro e fora das pistas e que cada conquista venha acompanhada de felicidade.
Nativa FM Itinga 88,5