Policial militar é condenado a 25 anos de prisão por feminicídio
Escrito por Jornalismo Nativa em 5 de Novembro, 2026
O julgamento do policial militar Wladson Luan Monteiro Lopes, acusado de matar a namorada Bruna Meirelles Corrêa, de 32 anos, foi realizado nesta quarta-feira (4), no Fórum Criminal de Belém, no bairro da Cidade Velha. O réu foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado pelo feminicídio da estudante de nutrição, atingida na cabeça por um disparo de arma de fogo dentro do carro dele, em março de 2025. Além da pena de prisão, o juiz determinou a perda do cargo público do condenado. A defesa do policial militar ainda poderá recorrer da decisão.
A sessão começou pela manhã e entrou, no fim da tarde, na fase de manifestação dos advogados de defesa. Eles sustentaram que o tiro foi acidental e buscaram a absolvição do réu. A acusação, por outro lado, afirmou que Wladson não aceitava o fim do relacionamento e que o disparo foi intencional.
Durante a sessão, familiares, amigos e parentes de Bruna acompanharam os trabalhos no plenário. Parte deles veio da comunidade de Fazendinha, na zona rural de Colares, município de origem da estudante, para acompanhar o julgamento e cobrar justiça.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 12 de março de 2025. Bruna estava dentro do veículo do então policial militar quando foi atingida por um tiro na cabeça. Após o disparo, Wladson levou a namorada ao Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, mas a jovem não resistiu aos ferimentos. O acusado estava preso preventivamente desde a data do ocorrido.
A defesa argumentou que o disparo aconteceu durante uma discussão entre o casal. Segundo essa versão, a arma estaria posicionada sob a perna do policial e teria disparado acidentalmente quando ele tentou guardá-la. Os advogados também apontaram a sensibilidade do gatilho como possível causa do disparo.
A Promotoria de Justiça contestou essa versão e utilizou os resultados da reconstituição feita pela perícia científica para sustentar que o gatilho foi acionado de maneira intencional, com o disparo direcionado à cabeça da estudante.
Depoimentos
Durante a fase de depoimentos, foram ouvidos peritos criminais, além de amigos e familiares da vítima. Testemunhas relataram que Bruna passou a apresentar mudanças de comportamento depois que começou o relacionamento com Wladson.
Segundo relatos de parentes, a estudante, que morava em Belém para cursar nutrição, começou a se afastar da família e a deixar de participar de encontros familiares. Uma das testemunhas também afirmou ter visto marcas de agressões físicas no corpo da jovem antes da morte.
Pedido de justiça
No intervalo para o almoço, amigos e familiares de Bruna realizaram um ato pacífico em frente ao Fórum Criminal de Belém. O grupo usou camisetas com a fotografia da estudante e exibiu cartazes pedindo a condenação do acusado.
A mãe da jovem, dona Dalva, também manifestou a expectativa pela decisão dos jurados e pediu justiça pela morte da filha. Com a condenação a 25 anos de prisão em regime fechado, o resultado do julgamento atende ao pedido de responsabilização apresentado pela acusação. A defesa, no entanto, poderá recorrer da sentença.
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